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Oceano de livros

Como no mar, nos livros eu mergulho. me perco e me encontro, sinto-me em paz e acima de tudo sou mais autenticamente eu própria. In ocean or book, I dive in, I lose myself and find myself, but above all, it's when I more my real me.

Oceano de livros

Como no mar, nos livros eu mergulho. me perco e me encontro, sinto-me em paz e acima de tudo sou mais autenticamente eu própria. In ocean or book, I dive in, I lose myself and find myself, but above all, it's when I more my real me.

20
Set19

Desafio dos pássaros#2 – O Amor e um estalo


Inês Norton

Três da manhã, ele finalmente adormeceu, cuidadosamente Ana Maria saí da cama, veste-se silenciosamente, uma arte que aperfeiçou desde que casou com aquele homem violento, passa pela sala, dirigi-se ao bar, “rouba-lhe” umas três garrafas do vinho premiado dele, um copo, pega na carteira e na mala sos, que há dois anos a esperava, com roupas,dinheiro, documentos, e alguns dos poucos bens inestimáveis, escondida por baixo do sofá velho onde já ninguém se sentava, pega na chave do carro e sem fazer barulho sai definitivamente daquela casa. A casa que ela sonhou ser um lar…

 

Quarenta e cinco minutos depois, no meio da escuridão, usa o telemóvel para iluminar o caminho até aquela praia escondida onde nunca havia estado e onde sabia que por mais tempo que ali estivesse ele não a iria procurar. Assim que achou um lugar que lhe pareceu confortável, sentou-se na areia gelada, tirou uma das garrafas que trazia na mala, o copo, abriu-a com um truque aprendido no primeiro emprego e ficou ali a saborear o vinho e a escutar o som calmante do mar que ainda não conseguia ver naquela escuridão.

 

E pensou:”como foi que cheguei aqui?”. É engraçado como a vida nos dá muitas vezes o contrário do que mais queremos, ela pedira para ter amor, e a vida respondera com um estalo. Uma e outra vez. Primeiro foram os pais, que de fora pareciam amá-la mas que só amaram o jogo e não hesitaram em a deixar só e financeiramente arruinada. Depois este homem para quem correra tão carente como um cachorro abandonado, pensando que não merecia melhor, e que era tão dado a fúrias que a usava como saco de pancada, e com ela ferida, a violava com prazer.

 

Ainda nem tinha quarenta anos e sentia-se sem vida, por isso e com uma clareza imprópria do vinho que ia bebericando, ela tomou uma decisão. Ia desaparecer, sair do país e reconstruir-se num novo lugar onde ninguém esperaria que estivesse, e aí iria viver o resto da vida, só mas feliz, porque o maior amor que precisava era o dela própria, e nunca mais iria se magoar, pois aquele olho negro era o último estalo que iria receber da vida.

 

Quando se levantou, o Sol nascia…

 

Inês d’Eca

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